Capítulo 4 – O verbo e a Emoção


O verbo e a emoção

A experiência afetiva é o constituinte dinâmico das emoções.

A ordem verbal existe e está latente no espírito humano, e a mente busca entendimento para processar e dar prosseguimento à ordem.

Palavra é semente, semente é valor; palavra é verbo, verbo é uma ordem para o pneuma; uma ordem para o pneuma é uma emoção,uma emoção é uma experiência afetiva.

Toda palavra possui vida própria, vida para a vida ou vida para a morte.

Palavra é a expressão afetiva do pensamento humano com caráter, tendências e conseqüências definidos.

A palavra no pneuma humano suscita dogmas e fundamentos.

A palavra

A palavra (= semente = valor = verbo = emoção) é a articulação de uma ou mais sílabas, provida de um sentido e de um significado. A REP assim a define: “Forma de expressão afetiva do pensamento humano com caráter e tendências definidos”.

A palavra, dentro do espírito humano, tem a capacidade de atuar como uma semente de vida ou mesmo como uma semente de morte — a palavra pode ser de vida ou pode ser de morte. A palavra pode fechar feridas ou alargar abismos, pode agir como um bálsamo refrescante ou pode agir como um terrível vendaval, pode fechar abismos como também fender todo o terreno do homem interior. A confecção de qualquer palavra pela mente humana, ao ser gerada para adentrar o sistema tricotômico, possui um caráter afetivo definido. E, agindo como uma semente, pode produzir uma árvore frutífera (efeitos satisfatórios) ou produzir ervas espinhosas ou daninhas (efeitos insatisfatórios), tudo dependendo do território do pneuma em que se encontra estacionada e firmada a mente humana.

Às vezes, a mesma palavra pode ter momentos em que gera vida e momentos em que gera morte. Ou seja, a vida possui tempos distintos para uma mesma palavra atuar no interior humano. Exemplo: tempo de sim e tempo de não, tempo em que devo e tempo em que não devo, tempo em que não posso e tempo em que posso, tempo em que penso que conheço e tempo em que sei que nada conheço, tempo de estar nas entranhas da terra e tempo de viajar pelos céus. Tudo isso reside no espírito humano, que é um terreno árido ou extremamente fértil, dependendo do caráter afetivo territorial em que estão sendo semeados tais pensamentos.

Semente e valores

Toda palavra possui vida própria, e, como semente que é, não poderia ser diferente. Palavra é semente, semente é valor; palavra é verbo, verbo é uma ordem do pneuma; uma ordem para o pneuma é uma emoção; uma emoção é uma experiência afetiva.

Verbo é palavra, palavra que exprime ação, estado, qualidade ou existência de algo ou de alguma pessoa, segundo o dicionário. E a palavra, dentro do espírito humano, devido aos sentido e saídas que fluem daí, suscita dogmas e fundamentos. Assim temos:


Toda palavra, seja por ação direta, seja por ação indireta, representa um verbo, uma ordem, um sentido ou um arquivo específico do pneuma. Os arquivos do pneuma, os sentidos e saídas, são ativados e suscitados (verbo, palavra, semente), identificados (entendimento, discernimento) e desarquivados (emoção, experiência afetiva) para produzirem o seu efeito no sistema tricotômico, por uma ordem na forma verbal, que pode ser direta ou indireta. A ação é direta quando temos a presença do verbo expressando o sentido da ordem. A ação é indireta quando não temos a conjugação verbal, porém o sentido da ordem é expresso por derivação verbal afetiva.

Palavra, portanto, é semente, é valor, é ordem, é verbo, é o sentido e a tendência verbais existentes em todo e qualquer pensamento humano. E toda palavra possui também uma essência verbal afetiva, que irá caracterizá-la como ciência de vida ou como ciência de morte.

Quando dizemos palavras como “caneta”, “chaveiro”, “copo”, “roupa”, “terra”, “pedra”, “banana” etc., mesmo sem a conjugação verbal ser mencionada, ainda assim temos uma expressão afetiva, só que indireta. Toda citação expressa pela mente humana possui um caráter afetivo proveniente dos sentidos e saídas que procedem do pneuma, que pode ser de vida ou de morte, e um caráter científico, que é peculiar ao espírito humano.

Podemos ouvir palavras únicas ou isoladas ou expressões aparentemente simples, porém afetivamente esses termos podem gerar vida ou morte no sistema tricotômico. Isso ocorre devido ao fato de que psicologicamente o indivíduo está condicionado a toda uma série de valores que estão ligados a todo e qualquer termo referido.

A ordem verbal é processada e tem a sua seqüência no sistema tricotômico coordenada pela psique. É importante entender que os compartimentos da tricotomia humana suscitam valores. Sendo assim, veremos mais adiante a necessidade de se manter uma atenção específica sobre cada compartimento.

Toda palavra, termo ou expressão é direta ou indiretamente uma ordem e ação verbal. As ciências que habitam o pneuma humano e que estão em constante profusão no homem interior são expressadas e entendidas pelo pensamento humano na forma de verbo. Todo verbo é uma ciência e também a forma de expressar ação, estado, fenômeno, circunstância, situação ou pessoa.

Por uma ação indireta (derivação afetiva) ou por uma ação direta (verbal), toda e qualquer expressão do pensamento humano possui efeitos afetivos sobre a tricotomia humana. Até mesmo a aparente simplicidade de uma expressão afetiva como um “a”, ainda que aparentemente não tenha significado algum, gerará efeitos afetivos sobre a tricotomia humana, que podem ser de vida ou de morte, de conservação ou de agressão ao sistema tricotômico. A palavra, ao interagir na engrenagem tricotômica, irá produzir os devidos efeitos no pneuma, na psique e no soma. Não há neutralidade nas expressões afetivas do pensamento humano.

Para caminhar dentro da REP seguiremos basicamente sempre por esta seqüência:

Pneuma ou espírito ciência (de vida ou de morte) verbalização

palavra (semente) emoções (satisfatórias e insatisfatórias)

psique ou mente (sentimentos, caráter, auto-estima, personalidade)

soma ou corpo.

Tudo é espiritual. Toda ordem, seguida ou não de atitude, todo comportamento e todo procedimento são espirituais, com reflexos e repercussões na psique e no soma, pois é do espírito que se retiram a qualidade e a essência da experiências afetivas, cujos resultados são percebidos em todo o sistema tricotômico. Da concepção até a morte, o abrir dos olhos, os sonhos, a higiene corporal ou não, o comer ou não, o beber, o andar, o correr, o estudar, o amar, o odiar, o chorar, o rir, o calar, o conhecer, o rejeitar, o conhecer, o sexo, o brigar, o competir, o roubar, seja o que for, qualquer que seja a ordem, estamos sempre diante de uma experiência afetiva. Com ou sem motivação, com ou sem conhecimento de causa, estamos diante de uma emoção. E, se estamos diante de uma emoção, estamos diante da vida ou da morte. E, se estamos diante da vida ou da morte, estamos no pneuma. E, se estamos no pneuma, estamos no compartimento espiritual.

O espírito humano:fonte de cura e de contaminação

A cura e a contaminação inicia e ocorre no pneuma. E, em se tratando de um terreno extremamente diversificado em matéria “científica”, os seus caminhos, áridos e férteis, de vida e de morte, são a fonte e a inspiração para qualquer experiência afetiva. O espírito humano é o local onde é gerada a essência de cada ordem verbal. Toda riqueza, toda matériaprima e toda inspiração para as experiências afetivas são devidamente encontradas no compartimento denominado pneuma.

No espírito humano, habitam as características de cada atitude e comportamento. É do espírito humano que se retiram os valores aplicados no dia-a-dia e o poder afetivo — de vida ou de morte — da palavra que será aplicada como combustível do sistema tricotômico.

A vida humana é a confusa caminhada em busca da possível perfeição.

A emoção é a lanterna que ilumina a estrada.

As emoções

Emoção é a experiência afetiva gerada pela mente humana, é o efeito afetivo, o caráter e a essência da ordem verbal em ação no sistema tricotômico. Desde os primeiros passos do homem na Terra até a sua chegada à Lua e aos dias de hoje, tudo o que o ele deseja e procura é a obtenção do equilíbrio interior. Se quando criança brinca com os objetos mais simples e chora por suas necessidades básicas, é em busca de uma harmonia tricotômica. O homem, em todas as circunstâncias e situações do dia-a-dia — numa festa, no lazer, na refeição, no lar, no carro, em busca de melhorias próprias, numa roda de amigos, nos estudos, quando bebe, quando agride, quando mente, quando fala a verdade, quando fuma —, busca e clama por uma urgente, desejada e sonhada harmonia interior.

O homem, desejoso desse equilíbrio, concentra todas as suas atenções e cuidados única e exclusivamente no soma, abandonando os outros compartimentos tricotômicos, e o resultado é a destruição e o total desabamento do homem interior. E todas essas terapias e opções de vida oferecidas pela sociedade moderna não são capazes de produzir um nível satisfatório de equilíbrio interior, produzindo na verdade, em vez do equilíbrio proposto, uma intensa insatisfação que se manifesta nessa mesma sociedade angustiada, ansiosa e deprimida, insatisfação essa que está presente e crescente em todo o mundo.

A vida humana consiste em buscar emoções ou estados emotivos que possam produzir e satisfazer as condições necessárias para a harmonia interior. Sem conhecimento do que procurar, todavia, nada será encontrado, pois a humanidade não sabe de que realmente precisa e muito menos onde encontrá-lo. Devido à falta de conhecimento e de valorização de si próprio como ser racional, o homem aceita todo e qualquer tipo de emoção, não avaliando nem discernindo as conseqüências e ações dessa atitude sobre os componentes psíquicos. A humanidade, em sua busca de vida interior, precisa trilhar um caminho que proporcione frutos satisfatórios à tricotomia humana.

O homem não deve concentrar todas as atenções apenas no soma, e sim, como já foi dito, caminhar em direção ao pneuma e passar a controlar a sua própria vida. Ou seja, deve trabalhar e filtrar toda experiência afetiva que lhe sobrevier, rejeitar as emoções provenientes das ciências de morte e zelar pelas emoções provenientes das ciências de vida. Trabalhar e administrar o pneuma é governar a fonte das emoções — a fonte de vida, que pode ser vida para a vida ou vida para a morte.

As emoções e a natureza humana

O ser humano, como indivíduo racional, não contempla de modo neutro o mundo em que vive. Tudo e todos, as pessoas e os objetos que nos cercam, provocam em nós um desejo de aproximação ou de afastamento. Esses desejos, realizados ou não, constituem as nossas experiências afetivas. Ainda que possamos parecer indiferentes em algumas situações, tudo o que passa pelo nosso entendimento possui um componente afetivo. O ser humano é afetivo em sua essência, em seu interior. Toda palavra que vai ao entendimento humano sempre terá essência e caráter afetivos, devido às características do homem interior. Portanto, “emoção” é a palavra que melhor exprime a atuação dos valores afetivos que têm acesso ao ser humano e interagem no sistema tricotômico. O homem interior fervilha e borbulha em afetividade. As emoções são divididas de acordo com as suas ações sobre os componentes psíquicos e podem ser basicamente de dois tipos: satisfatórias e insatisfatórias. Antes de definirmos esses tipos de emoções, porém, voltemos à natureza humana.

Já reconhecemos o ser humano como um ser tricotômico, ou seja, o homem é espírito, mente e corpo — ou pneuma, psique e soma. No entanto é preciso compreender que a natureza humana reside no pneuma, com duas tendências: tendência de vida e tendência de morte — ou ciência de vida e ciência de morte. A natureza do homem permite que a mente caminhe pelo pneuma e percorra os mais profundos caminhos do desequilíbrio e do irracional e também os do equilíbrio e do racional. Assim temos:



Essa propriedade está arraigada no espírito humano. A raiz que emerge de dentro do espírito é proveniente dos sentidos e saídas, que na forma de ordem verbal movimentam o sistema tricotômico. O desconhecimento e o negligenciar das entranhas e caminhos do pneuma permitem que o indivíduo coma e se alimente guiado por um cardápio que oferece alimentos de vida e alimentos de morte. De tudo que o homem deve guardar, preservar e zelar, o mais importante é que ele guarde o seu espírito, pois dele procedem as saídas de vida e de morte.
Como um mar revolto, de aspecto indomável, assim é o espírito humano. O homem chega à Lua, passeia no Universo e nos planetas, invade e domina territórios, garimpa toda a sua história passada a presente, porém não domina o território mais importante. A área mais nobre e de vital importância é negligenciada, ou seja, o espírito humano, que não é devidamente conquistado.

A natureza humana, dentro do espírito, é semelhante a águas profundas, de cujas profundezas o homem de entendimento e de conhecimento acerca de seu próprio ser interior consegue tirar propósitos enganosos, ou seja, propósitos de morte. As ciências de vida e de morte são partes integrantes da natureza humana e habitantes do espírito humano. Como conseqüência, várias enfermidades podem ser encontradas em indivíduos com distúrbios emocionais diversos, resultando em doenças psíquicas e físicas, todos com a mesma origem: o pneuma.

Doenças psíquicas. São as doenças psiquiátricas e psicossomáticas, os distúrbios de comportamentos variados, os desvios sexuais variados, as fobias em geral, o estresse psíquico, os sentimentos de culpa, a doença de Tabis (abismos psíquicos), os mais variados graus de ansiedade, angústia, depressão, insônia e outros.

Doenças físicas. A principal conseqüência são as alterações nas cadeias genéticas — DNA — com repercussão futura na saúde física, comprometimento cardiovascular, alterações endócrinas, estresse físico, esgotamento físico, enxaquecas severas e outros.

Variadas teorias e linhas de pensamento e estudo comportamental podem definir a seu próprio modo a palavra “emoção”. Segundo a REP, todavia, a emoção é uma experiência afetiva (constituinte dinâmico das emoções). E, dentro desse molde e conceito, é possível extrair o máximo de seu significado e potencial, para que o entendimento humano compreenda a intensa dinâmica que envolve a nossa estrutura tricotômica.

O poder da mente humana é diretamente proporcional ao espírito do homem. Ou seja, essa capacidade e potencial intelectual (capacidade de trabalhar e armazenar as ciências) de-ve-se ao fato da própria riqueza que habita o pneuma — ciências de vida e ciências de morte. A capacidade de armazenamento e de trabalho que existe na mente é totalmente compatível com o espírito, por ser este o gerador das informações.

A emoção no espírito humano é como omachado posto à raiz da árvore.

Emoção satisfatória e emoção insatisfatória

Emoção satisfatória é a palavra gerada no sistema tricotômico que representa uma experiência afetiva semeada (valores) e colhida (originada) nas ciências de vida (o normal, o correto e o real), que, por sua característica e essência (terrena) alimenta e fortalece a psique humana. A emoção satisfatória age como nutridora e fortalecedora da estrutura psíquica, auxiliando na sua consolidação e tendências. Portanto, a emoção satisfatória não agride a tricotomia humana. Ela satisfaz a relação psico-espiritual, resultando em manifestações físicas benéficas e produzindo com isso uma crescente adaptação social do indivíduo. A emoção satisfatória, proporcionando ou não uma satisfação física, é uma emoção que gera vida. Na emoção satisfatória, a palavra gera vida.

Emoção insatisfatória é a palavra gerada no sistema tricotômico que representa uma experiência afetiva semeada e colhida nas ciências de morte (o anormal, o incorreto e o irreal), que por sua característica e essência desestabiliza, agride e oprime a psique humana. A emoção insatisfatória atua como um desestruturador e desequilibrador psíquico. Ela avilta a relação psico-espiritual, resultando em manifestações físicas maléficas (doenças psíquicas e doenças físicas) e produzindo com isso um desajuste social do indivíduo. A emoção insatisfatória, ao agredir o indivíduo, leva-o a um desequilíbrio emocional, podendo chegar a um desequilíbrio psíquico e até mesmo a uma atrofia psíquica. A emoção insatisfatória, proporcionando ou não uma satisfação física, é uma emoção que gera morte. Na emoção insatisfatória, a palavra gera morte.



O sentimento, componente da psique humana, por meio das experiências afetivas, realizadas ou não, tenta qualificar e identificar as emoções. Sem conhecimento, porém, é difícil diferenciar entre emoção satisfatória e emoção insatisfatória. O estado emocional afetivo (pneuma) apresenta uma fase psíquica ou psicológica (psique) e uma fase fisiológica (soma). E o estado emocional tanto pode se apresentar de uma forma construtiva como de uma forma destrutiva para a engrenagem tricotômica.

Um prolongado estado emocional desagradável pode causar uma série de alterações físicas e psíquicas. Com enorme freqüência, deparei-me ao longo da vida médica com pacientes que se queixavam do surgimento e da acentuação de variadas perturbações físicas e psíquicas em conseqüência de experiências afetivas insatisfatórias, que eram detectadas e identificadas quando se realizava a anamnese (histórico com perguntas detalhadas, para o prontuário clínico). A experiência clínica diária deixa evidente a relação e a ação das experiências afetivas nas estruturas física e psíquica.

A mente humana, obviamente, é de suma importância, devido ao fato de que com ela se tomam as decisões que irão determinar o comportamento do indivíduo. Portanto, o reconhecimento, a identificação e a qualificação das emoções pesam muito, porque as emoções estão intimamente ligadas à saúde física e ao bem-estar psicológico. E, quando a REP reconhece o espírito humano como o gerador inicial das emoções na forma de ordem verbal, é porque a emoção é um clima ou estado de espírito que sentimos e percebemos em determinado meio ou em nós mesmos, cabendo ao entendimento e à psique a identificação, a qualificação e, conseqüentemente, a aceitação ou rejeição da experiência afetiva, conforme o conhecimento ou parâmetro utilizado.

A fase ou momento que o indivíduo está vivendo é importante para a sua estrutura tricotômica, pois se a resistência psíquica estiver vulnerável, ele poderá aceitar determinados tipos de emoções que outrora rejeitava ou rejeitar outras que anteriormente aceitava. Determinados tipos de clima emocional ou de clima espiritual necessitam ser identificados para serem aceitos ou rejeitados, para proteger o nosso ser interior e evitar o surgimento de lesões psíquicas e físicas.

A palavra como ordem verbal direta ou indireta, tem a capacidade de suscitar valores para então consolidar (alimentar)ou enfraquecer (agredir) os constituintes psíquicos.

Já aprendemos que experiência afetiva é igual a emoção, que é igual a semente, que é igual a palavra, que é igual a verbo, que por sua vez representa valores afetivos. Portanto, situações emocionais ou estados de espírito sempre estarão presentes no dia-a-dia da humanidade.

Podemos reconhecer em nós mesmos, num indivíduo, num grupo, numa comunidade ou até mesmo numa nação uma grande variedade de estados afetivos (valores) que representam uma ordem verbal gerada no pneuma. No pneuma, expressa-se a ordem, que é seguida de uma ação tricotômica, por intermédio do sentido verbal que foi gerado. Amar, odiar, falar, calar, matar, ceder, reconhecer, humilhar, agir, correr, temer, alegrar, sentir, descrer, crer, tocar, prantear, edificar, lembrar, derribar, roubar, afastar, chorar, alegrar, mentir, trabalhar, abraçar, adorar, gritar, pensar, retirar, acrescentar, descansar, gerar, viver, morrer, queixar-se, pintar, cantar, compor, construir, fabricar, inventar, ler, esquecer, criar, existir, faltar, olhar, cheirar, guerrear, apaziguar, perder, ganhar, destruir, renascer: tudo isso é ciência — o verbo é uma ciência.

Todo estado afetivo que habita o espírito humano é uma ordem verbal que, quando gerada, busca o sistema tricotômico para a devida atuação. Todo estado afetivo, todo clima espiritual, toda ciência, toda palavra, todo verbo, toda semente, todo valor, toda ordem, toda direção, toda ação, enfim, tudo o que habita, entra ou sai do espírito humano sempre tem como origem ou o sentido de vida ou o sentido de morte.

Um estado afetivo concebido pela mente humana é uma situação em que a mente, no campo do pneuma, chama à existência a experiência afetiva, para a sua efetiva atuação na engrenagem tricotômica. Chamar à existência uma experiência afetiva é vivenciar um valor, uma ordem, uma ação, uma palavra e um verbo. É o estado em que a emoção propriamente dita atua e interage no pneuma, na psique e no soma.


Para a mente humana, haverá sempre a necessidade de conhecimento, identificação e separação entre o que é normal e o que é anormal e entre ciência de vida e ciência de morte. Essa importante diferenciação possui profundos e decisivos reflexos sobre o comportamento humano, as alterações dos processos mentais e a saúde física. A avaliação, a preocupação e a análise das experiências afetivas representam na verdade um reconhecimento, uma identificação territorial para com os valores que habitam o interior humano, para separar o que é vida do que é morte e evitar os possíveis efeitos lesivos sobre a tricotomia.

Toda emoção, todo estado emocional ou todo estado de espírito que possamos surpreender em nosso ser interior são produtos e situações existentes em decorrência da área territorial do pneuma em que se encontra a mente humana. A palavra, que sempre possui um valor afetivo e verbal em sua essência, ao interagir no sistema tricotômico, representa uma experiência afetiva (constituinte dinâmico das emoções), que possui certamente efeitos e conseqüências característicos. Um indivíduo irá manifestar, exteriorizar, transmitir e relacionar-se com o mundo que o cerca de acordo com o clima emocional (valores) que estiver interagindo em seu ser interior. O homem exterior sempre será o produto final de uma interação emocional e psíquica ocorrida no homem interior.

Vida e morte

Observe que quando citarmos as palavras “vida” e “morte” estaremos nos referindo a situações bem distintas e de aplicação prática característica. Segundo as definições e fundamentos da REP, é necessário entender os efeitos distintos de cada situação para uma real compreensão acerca da grande quantidade de situações que enfrentamos no nosso emocional, na nossa psique e no nosso corpo. Vejamos:

Vida

Ciência de vida, sentidos e saídas de vida, caminhos de vida, verbo e palavra de vida, semente de vida, valores de vida. É o conjunto de fundamentos que concorrem e conduzem o sistema tricotômico ao desenvolvimento de todos os seus componentes, tratando, saneando, ajustando, adaptando e alimentando todos esses componentes. A vida também pode ser utilizada para caracterizar um conjunto de fatores e situações que concorrem para a conservação do sistema tricotômico.

Morte

Ciência de morte, sentido e saídas de morte, caminhos de morte, verbo e palavra de morte, semente de morte, valores de morte. É o conjunto de fundamentos que concorrem e conduzem o sistema tricotômico para a agressão, destruição e contaminação de seus componentes, enfermando, desajustando, desequilibrando e desagregando um ou mais desses componentes. A morte também pode ser utilizada para caracterizar um conjunto de fatores e situações que concorrem para a falência do sistema tricotômico.

A essência e o caráter das experiências afetivas são retiradas do pneuma, nenhuma emoção ou experiência afetiva é neutra ao entendimento humano ou aos componentes da tricotomia. O pneuma é um canal constante de informações e influências, porque se trata de um território extremamente fértil e diversificado em matéria “científica”. E toda a profusão do espírito, qualquer que seja o seu caráter ou a sua essência, terá sempre conseqüências e efeitos em toda a estrutura do homem interior e exterior. O trajeto seguido pelas experiências afetivas, para se tornarem uma emoção satisfatória ou insatisfatória, é sempre o mesmo.

Sentidos e saídas ou ciências


A emoção, satisfatória ou insatisfatória, irá efetivamente concluir o seu caráter e a sua essência para com o sistema tricotômico. E, como já definimos, em caso de satisfatória concorrerá para a conservação dos componentes tricotômicos e em caso de insatisfatória trabalhará concorrendo para a falência do sistema.

A emoção insatisfatória também pode ser definida como ilusória, pois é uma emoção que engana os sentidos e a mente, produzindo uma interpretação errônea de um determinado fundamento e iludindo os sentidos do pneuma com uma aparência enganadora. As emoções insatisfatórias agridem psiquicamente o indivíduo, que terapeuticamente, para o seu bem-estar emocional, psíquico e somático, deve evitar e rejeitar a sua ação agressora. Um importante aspecto a ser relembrado é que as emoções em geral representam valores, fundamentos, dogmas, que são conseqüências dos sentido e saídas que habitam o pneuma e possuem caráter, tendências e conseqüências definidos (vida ou morte). Assim, todas as ciências que fazem parte da história da humanidade e que estão espalhadas pelo mundo científico são expressões afetivas significativas da estrutura tricotômica do ser humano e, por conseguinte, são ciências que concorrem para a conservação ou falência desse sistema.

O mundo dos intelectuais

A humanidade, ao longo de sua história, está literalmente sendo obrigada a digerir, na área da ciência comportamental, valores e fundamentos do mundo científico com características extremamente lesivas ao homem interior.

O estudioso e intelectual, dissimulado e camuflado no mundo científico, escreve e defende a sua própria verdade, verdade essa que não passa de uma teia, um emaranhado vaidoso, confuso, turbulento, doentio e irracional, que o povo é obrigado a engolir e digerir sem questionar, mesmo sentindo tantos efeitos colaterais insatisfatórios.

Algumas ciências são indiscutivelmente ciências de morte, pois em algum de seus fundamentos detectamos contribuições para a falência de um ou mais compartimentos da estrutura tricotômica. Essas ciências serão citadas no capítulo 7.

As experiências afetivas em geral utilizam a percepção e identificação verbal do pneuma (conhecimento), a percepção psicológica e afetiva da mente e a percepção sensitiva do soma (os órgãos dos sentidos) para uma avaliação e melhor identificação de sua essência e de seu caráter. O nosso relacionamento com o mundo que nos cerca, por mais simples que o possamos imaginar, provoca em nós um desejo de aproximação ou de afastamento, e esses desejos, realizados ou não, constituem as nossas experiências afetivas, que invadem o espírito humano e são qualificadas, identificadas e aceitas ou rejeitadas pela psique.

As emoções em geral, qualquer que seja o seu caráter ou essência, são experiências afetivas, o constituinte dinâmico das emoções, que o ser humano utiliza sempre com um único objetivo: o de obter o equilíbrio emocional, psíquico e somático. Por isso já informei que toda emoção, mesmo insatisfatória, tem de ser respeitada, pois, qualquer que seja, representa um ponto de apoio afetivo para alguém ou para um determinado grupo de pessoas. As emoções insatisfatórias devem ser trabalhadas de modo a serem substituídas por outras que concorram para a preservação do sistema tricotômico. Assim, podemos concluir que na emoção satisfatória ocorre a nutrição da relação pneuma-psique e na emoção insatisfatória agressão ao pneuma e à psique.


Quando o verbo se torna emoção

A ordem verbal, no uso da razão (questionar, entender, alterar, rejeitar, analisar, duvidar, modificar, acrescentar etc.), é característica exclusiva da raça humana. Nem todo arquivo verbal, porém, apesar de fluir do pneuma, entra em uma ação tricotômica afetiva. E, se não atuar em todo o sistema tricotômico, não é uma emoção, não é uma experiência afetiva, ou seja, não é gerada a emoção propriamente dita. Para existir uma emoção, é necessário que o verbo — ou ordem — seja desarquivado do pneuma e colocado em ação no sistema tricotômico. Só assim a estrutura tripartida do ser humano passará a trabalhar no mesmo sentido e na mesma direção.


A ordem verbal está no pneuma, e a partir do momento que for concebida ou desarquivada, estaremos então diante da emoção propriamente dita e também de suas inevitáveis conseqüências. Conceber é desarquivar, é formar no espírito, é gerar, é retirar do pneuma um conceito, um valor, um dogma, um fundamento, e colocá-lo em prática e em uma efetiva ação no sistema tricotômico.


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